quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Falta de compreensão e má interpretação












Como sempre, nosso grande herói tupiniquim anti-evolução surge com mais uma pérola. Desta vez, compreende mau o que um cientista trata como fé na ciência, confundindo o que é o "acreditar" científico com o "acreditar" religioso.

Nosso Behe tupiniquim é hábil com a retórica, mas, para variar, comete sempre os mesmos escorregões costumeiros de criacionistas e de seguidores do DI.
vejamos:

retirado daqui


Geralmente em debates quando se levanta a questão da origem da vida, os darwinistas ortodoxos fundamentalistas xiitas dizem que isso é irrelevante na questão da evolução. Não é irrelevante.

Realmente, não é uma questão irrelevante. Todavia, o estudo da Teoria da Evolução somente pode ocorrer a partir do momento que a primeira coisa a ser considerada como viva (capaz de se organizar, colher energia do ambiente, transformá-la em energia para se sustentar e se reproduzir) apareceu.

Mas, estabelecer que o estudo da origem da vida deve ser explicado pela teoria da evolução é um erro crasso.

Este estudo encerra suas idéias na questãonass químicas orgânica e inorgânica, bem como na bioquímica, pois aqui estamos no mundo das reações químicas, onde não se aplicam estudos evolucionários, uma vez que não estamos lidando com o vivo, mas com o inerte.

A bioquímica estuda as reações que ocorrem dentro dos seres vivos, bem como aquelas reações que poderiam ocorrer para começar a estabelecer os parâmetros para se considerar algo vivo, conforme conhecemos.

Conforme já explanei, há hipóteses de que a vida tenha partido de ciclos inorgânicos o que , se confirmado, seria estudado por um novo ramo da química inorgânica que poderiamos denominá-lo de química pré-biótica.

A partir do momento em que ocorre algo ao menos próximo do que conhecemos como vida é que poderemos avançar para a questão evolucionária deste algo.

Assim, nosso herói tupiniquim ao colocar o carro na frente dos bois comete mais um dos erros costumeiros dos criacionistas:

Confundir as origens da vida com a evolução da vida (seleção natural), como é confundir a origem do universo com a evolução do universo. É óbvio que os estudos posteriores, seja a seleção natural, como a evolução do universo, somente podem ser realizados a partir do momento que ocorrem suas respectivas origens. Do contrário, não haveria que se falar nem em seleção natural e nem em evolução do universo.

Se fosse, nossos melhores autores de livros-texto de Biologia do ensino médio como Amabis & Martho e outros autores abalizados não trariam mais a evolução química precedendo a evolução biológica nos seus livros didáticos. Que a origem da vida é uma questão relevante na temática da origem e evolução da vida fica bem patente nesta pérola de citação de um escritor científico:

“Acho falso argumentar que a origem da vida é irrelevante para a evolução. Ela não é menos relevante do que o Big Bang é para a física ou a cosmologia. A evolução deveria ser capaz de explicar, em teoria pelo menos, desde o começo até o primeiro organismo que podia se replicar através de processos biológicos ou químicos. E para compreender completamente aquele organismo, simplesmente teríamos que saber o que veio antes dele. E agora mesmo nem estamos próximo disso. Creio que uma explicação material será encontrada, mas aquela confiança vem da minha que a ciência é suficiente para a tarefa de explicação, em termos puramente materiais ou naturalistas, toda a história da vida. A minha fé está bem fundamentada, mas ainda é fé” (Gordy Slack, escritor de ciência evolucionista).



Uau! Fé na ciência? Mas que contra-senso, seu Slack? Você não foi um pouco “descuidado”, “negligente”, “lerdo”, “relaxado”, “desmazelado”, “frouxo demais”, “relapso”, “frouxo” [esses termos entre aspas são significados da palavra slack, em inglês] nessa sua “declaração de fé” na descrição aproximada da realidade fugaz e extremamente complexa dos fenômenos naturais que se deixam conhecer tão-somente em parte? Sr. Slack, felizmente, ainda bem, apesar da sua infeliz declaração, o máximo que a Nomenklatura científica irá fazer é puxar o seu “slack”, mas ela é antropofágica e destruidora de carreiras acadêmicas dos oponentes e críticos dos paradigmas dominantes. Dos que ousam criticá-la, capice?

Não sr. Enézio, não ha contra-senso algum nas afirmações de Slack, se é que foi ele quem realmente disse isso tudo.

Sem origem da vida; sem seleção natural.
Em teoria, a origem da vida é explicada e, há várias que a explicam, sendo as mais utilizadas a teoria da abiogênse e a teoria da panspermia.

Caso as teorias sobre a origem da vida estejam corretas, realmente o que levou determinado ciclo ou molécula a se replicar, certamente teria questões evolucionárias envolvidas, no que se refere à seleção de combinações que tornassem possível esta "coisa" ou organismo agir como a vida que conhecemos. Aqui se encerra o "saber o que veio antes dele".

Sim, tembém tenho fé que a ciência possa explicar o mundo do ser, (materialmente) conforme os avanços que ela experimente no futuro. Aqui, Enézio, nossa fé está pautada no que vem ocorrendo de fato, o avanço científico, o qual não está apenas na retórica barata que você usa, mas na realidade material do avanço científico.

Os fundamentos da fé de Slack possuem lógica e sua fé pode ser traduzida em esperança que algo ocorra, conforme mostram as evidências.

Se não ocorrer, ou se ocorrer o contrário do previsto, somente será uma triste decepção e não uma desilusão como ocorreria se demonstrado que Jesus morreu e não haverá volta de messias nenhum.

Da próxima, seja menos "slack"; seja mais "real".

Paradigmas são pipas, papagaios, pandorgas, maranhões que os ventos epistêmicos atuais favorecem e alçam vôos magistrais e embelezam o céu acadêmico, até que surgem os ventos contrários das evidências no contexto de justificação teórica, e outros moleques vão empinar suas novas pipas, papagaios, pandorgas e maranhões.

Sr. Slack, a ciência é isso: empinar pipas enquanto os ventos são favoráveis.

Enézio, valendo-me de suas metáforas, "os ventos são favoráveis" até que os paradigmas se sustentem com base em evidências. Do contrário, "os ventos" mudarão de rumo e nossa pipa poderá se perder ou rasgar-se.

Quanto à teoria que ferrenhamente advoga, ela mais se parece uma pipa de aço, não há vento que a faça alçar vôo.

Faz-se exceção ao furacão religioso que apenas tem causado prejuízo no dicernimento de pessoas menos esclarecidas em prol de interesses de espertalhões que procuram sustentar as suas crenças como verdades absolutas.

Nada em termos científicos sustenta sua teoria o DI, cujo jargão é científico mas se trata de uma "roupinha" nova para o criacionismo de Paley.


Rubem Alves, filósofo e educador (Unicamp), diz que paradigmas são redes de pescar...

Realmente, um paradigma científico é isso mesmo. As pessoas são seguras por eles até que ele se confirme falso, daí a fragilidade de nossa "rede de pescar".

E quanto aos paradigmas religiosos e ideológicos? A rede aqui é bem mais tensa, uma vez que a forma de se livrar dela seria por desilusão ou por "cair na real" de que a pregação neles incutidas vão de encontro ao mundo do ser.












“Fé” na evolução? Parem imediatamente a ciência que eu quero descer! Aliás, eu já desci faz tempo. Em Piracicaba, 1998, após ler o livro A Caixa Preta de Darwin, de Michael Behe.

Realmente Enézio, você já deceu faz tempo e caiu no terreno pantanoso da "caixa preta de Behe", a qual é um argumento de "Paley a século XXI".


sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Concepções pessoais tratadas como ciências











Segue mais uma entrevista repleta de retórica criacionista.

É espantoso, mas o jargão utilizado e a retórica carregada de subjetividade são sempre os mesmos (meus comentários em vermelho).

Tarcísio da Silva Vieira nasceu em Santa Helena de Goiás, em abril de 1981. Graduado em Ciências Biológicas pela Universidade de Rio Verde, é mestre em Química Orgânica pela Universidade de Brasília. Foi professor de Química e monitor de Bioquímica na faculdade em que se graduou, e professor de Química, Biologia, Física e Matemática em diversos cursinhos e colégios conveniados com as redes Objetivo e COC. Atualmente, desenvolve atividades no Centro Cultural da Sociedade Criacionista Brasileira (SCB), em Brasília, e leciona Biologia em colégios da Rede Adventista de Ensino, na mesma cidade. Na SCB, Tarcísio desenvolve atividades gerais como elaboração e revisão de material (livros, artigos, CDs, DVDs), traduções, palestras e preparo de material para as reuniões quinzenais no Centro Cultural da Sociedade.

Durante um congresso universitário em Goiânia, do qual participou como palestrante, concedeu esta entrevista a Michelson Borges:

Como foi a sua formação religiosa?

Nasci em um lar que poderia ser designado como católico não-praticante. Havia influência de correntes como espiritismo, de um lado, e protestantismo, de outro. Minha mãe sempre mencionava Deus e até me ensinou a falar com Ele. Foi ela quem me incentivou a procurar uma igreja quando criança, período em que tive os primeiros contatos com o cristianismo.

Por meio dessas afirmações pode-se perceber que havia várias vertentes religiosas presentes em sua vida, principalmente aquelas voltadas ao cristianismo.


Por que você se tornou ateu?

Ao alcançar certa maturidade, entre 14 e 15 anos, muita coisa se tornou confusa em minha mente.

Questões acerca de minha existência, vários problemas que assolavam minha família, "paixões da mocidade" que eram mais atraentes do que o conceito abstrato que eu tinha sobre Deus, explicações dadas em minha escola para muitos acontecimentos históricos e fenômenos naturais que se opunham completamente àquilo que eu aprendia na Igreja, tudo isso adicionado ao conhecimento superficial que eu tinha da Bíblia, acabaram me levando a questionar a veracidade da existência de um Criador.

Isso foi conseqüência natural de minha superficialidade em assuntos referentes a Deus, O qual, graças ao contexto materialista em que eu estava inserido, foi completamente ofuscado pelo ateísmo.

Questionar não se trata de um erro, mas de observar situações e tentar esclarecê-las de forma racional, em vez de meramente acreditar por acreditar.

Não há que misturar estudos laicos como história, geografia, biologia, física, química, etc. com religião, exceto se estudarmos o fenômeno religioso sob a ótica histórico-filosófico-sociológica e a mitologia que neste se encerra.

O que o fez mudar de idéia e aceitar o criacionismo?

Após aquele período de ateísmo, que durou aproximadamente até meus 18 anos, muitas coisas aconteceram em minha vida pessoal que me levaram a crer novamente em um Criador e aceitar a idéia de um Deus. Decidi então empenhar tempo e energia em buscar firmar meus pensamentos de forma que não tivesse aquele tipo de experiência novamente, em que o que eu acreditasse fosse refutado por supostas evidências de um mundo materialista.

E quanto as evidências de um mundo conforme aquele calcado na religião o que o Sr. Tarcísio teria a dizer?

Como sempre gostei muito de ciências (minha mãe que o diga, quando eu inventava de ir para a cozinha fazer "experimentos"), entre 15 e 18 anos, estudei muito biologia, matemática, física e química. Nesse período, já estava bem familiarizado com todos os aspectos discutidos no Ensino Médio nessas disciplinas. Ao aceitar novamente o conceito de um Criador e a idéia de um Deus pessoal, dediquei-me a estudar (com a ajuda de um grande amigo) a Bíblia com intensidade e profundidade, pois sabia que meu caminho para o ateísmo era fruto de minha superficialidade em assuntos bíblicos, como mencionei anteriormente.

Por que seria o criador o deus bíblico e não qualquer outro deus? Por que ,Tarcísio , você não estudou o Popol Vuh, a crença greco-romana, africana, chinesa, indiana, esquimó, germanica, celta, australiana, budista, assíria, maia, asteca, siberiana, etrusca, cretense, indígena sul ou norte americana, egípcia, hitita, babilônia, mongol, coreana, árabe antiga, xintoísta, zoroastrista, ainu, polinésia entre outras acerca da criação do mundo?

Simplesmente pelo fato de que o cristianismo, embora você, Tarcísio, tivesse passado por um período de reflexão e questionamentos, ainda estava fortemente arraigado a sua mente.

Ser ateu, já estava pré-concebido em sua mente que era um erro, devido a sua própria criação voltada à crença religiosa, conforme se percebe no primeiro item desta entrevista.

Você jamais foi ateu ou agnóstico de fato e nem jamais cogitou pensar que o cristianismo era uma balela ou que o deus bíblico poderia não existir.

Você sempre esteve preso ao cristianismo, somente tal ligação esmaeceu um pouquinho na sua fase de adolescência, talvez por crises pessoais, o que é muito comum nessa fase da vida.

Inconscientemente, mesmo na fase de esmaecimento da fé, você se manteve um cristão fervoroso. Do contrário teria ido buscar outras fontes religiosas a fim de entender a "colcha de retalhos" que é a fé humana em suas diversas nuances.


Ao prosseguir em meus estudos, o conhecimento que eu tinha de ciências incrivelmente ia se harmonizando com aquilo que estava descobrindo na Palavra de Deus. O grande ápice ocorreu quando passei a estudar a biografia de cientistas como Galileu, Kepler, Robert Boyle, Newton, Maxwell e outros, que harmonizavam o conhecimento científico com a fé em um Deus pessoal. Nessa época, passei a procurar desesperadamente material nessa área, até que num belo dia, chegou às minhas mãos um livro intitulado E Disse Deus – A Ciência Confirma a Autoridade da Bíblia, escrito por um químico. Fiquei encantado e desde então o criacionismo é uma responsabilidade que o Senhor Deus me permitiu conhecer, estudar e trabalhar.

Não, a ciência não confirma a autoridade da bíblia nem de qualquer outro mito da criação. Muito pelo contrário, afasta a autoridade deste livro, o qual volto a frisar, não se trata de um compêndio científico, mas de mitos e histórias desenvolvidas por civilizações do antigo oriente médio.

Autores como Newton, Galileu, Kepler, etc, viveram numa época em que o mundo estava saíndo das trevas, daí ainda seus conceitos serem fortemente presos à religião. Não havia ainda a liberdade de pensar, que era fortemente reprimida pela igreja.

Como se pode perceber na frase: " o criacionismo é uma responsabilidade que o Senhor Deus me permitiu conhecer, estudar e trabalhar" o excesso de cristianização dessa vertente que pretende se intitular como ciência é forte, o que já faz perder a sua credibilidade como ciência. Criacionismo deve estar relegado ao plano das religiões e não das ciências.


Como você via o criacionismo antes de estudá-lo mais a fundo?

Não cheguei a conhecer absolutamente nada sobre criacionismo antes de ler aquele livro que mencionei. Hoje entendo o motivo disso: os meios de comunicação, principalemente as revistas que eu gostava muito de ler (Superinteressante e Galileu), não davam nem dão espaço para discussão de idéias, de forma que o evolucionismo é propagado como verdade absoluta e inquestionável. Meu primeiro contato com o criacionismo foi bastante empolgante, pois eu já vinha trabalhando nesse sentido de harmonizar o conhecimento científico e a fé e um Deus pessoal - só não sabia o nome que se dava a isso (risos).

O nome que se dá a isso é proselitismo religioso.

Não Tarcísio, a teoria da evolução como qualquer ciência não é ensinada como verdade absoluta. Você comete um erro crasso ao fazer tal afirmação, a qual como um estudioso e mestre jamais deveria fazer.

Você pode harmonizar sua fé com o que bem quiser. Somente não pode e não deve estabelecer tal harmonização como plena veracidade acerca do mundo, pois isso se trata de mera concepção pessoal, carregada de subjetividade, o que vai em sentido oposto ao verdadeiro método científico.



Você teve uma experiência frustrante numa denominação evangélica. Fale um pouco sobre isso.

Quando passei a crer em um Deus pessoal eu não era protestante. Após um episódio, que hoje vejo como engraçado mas que na época me apavorou muito, decidi procurar uma denominação protestante, à qual pertenci por algum tempo. Na escola dominical, passamos a estudar os dez mandamentos, quando o professor, ao ler o quarto mandamento, disse que "não era preciso discutir aquele ponto pois ninguém mais tinha dúvidas quanto à guarda do domingo". Foi então que perguntei o motivo pelo qual poderíamos violar aquele quarto mandamento mas não poderíamos violar nenhum dos demais. Como já disse, quando decidi estudar a Bíblia, busquei me aprofundar. Isso havia me dado muitos argumentos que se opunham aos aspectos apontados pelo professor na defesa da guarda do domingo como dia de repouso.

Como o horário já estava avançado naquele dia, o professor propôs um sábado à noite para discutirmos o assunto. Pensei: "Que legal! Vou poder compartilhar com todos os jovens aquilo que eu e alguns amigos temos estudado." Então me dediquei ainda mais ao assunto. Busquei fatos históricos em que figuravam o imperador Constantino, profecias de Daniel e até argumentação de um grupo de judeus messiânicos que conheci.

Na data marcada, meus três amigos e eu fomos à igreja. Naquele sábado a noite, não se faziam presentes apenas os jovens, mas boa parte da congregação. Sentimos um pouco de hostilidade por parte das pessoas ali presentes, mas pensamos que era devido ao nosso nervosismo. Quando o debate começou, expusemos nossas idéias com base naquele material que mencionei, além de texto em grego e hebraico que aprendemos um pouquinho. Abruptamente, um dos dois pastores presentes pegou um microfone, interrompeu nossa argumentação e começou a nos repreender. Uma das frases que mais me impressionaram foi: "Você não pode estudar a Bíblia com a mesma mente que você usa para estudar coisas referentes ao seu mestrado!" Nessa época eu estava cursando mestrado na UNB. Aquilo me entristeceu muito, não porque eu não deveria estudar a Bíblia com a mente racional que eu utilizava no mestrado, pois é isso mesmo que Deus quer que façamos: que O busquemos de forma racional - me entristeci com a maneira como o pastor falou, com a voz alta e agressiva. Vi profunda ignorância na recusa ao diálogo; a mesma hostilidade com a qual estava acostumado nos freqüentes debates que tive com evolucionistas.

A certa altura, nos perguntaram se alguém que não guardasse o sábado seria castigado no inferno. Respondemos com outra pergunta: Desonrar pai e mãe seria pecado, uma vez que está no mesmo conjunto de mandamentos que o sábado? Não quero entrar em detalhes do que aconteceu naquela noite, mas o balanço final é que fomos convidados a nos retirar daquela denominação (para não dizer expulsos), caso pretendêssemos guardar o sábado. Esse episódio me marcou muito.

Tanto faz guardar sábado, domingo ou segunda como qualquer outro dia da semana. Simplesmente essa norma fora instituída como o objetivo de proporcionar o descanso às pessoas e assim poderem se dedicar à prática religiosa.

Aliás, o sábado guardado pelos adventistas é pura hipocrisia, bem diferente do que é guardar o sábado, segundo os 10 Mandamentos. Adventistas andam de carro, acendem luzes, esquentam comida, sobem e decem de elevador, guardam carros em estacionamento, tomam condução, usam água da torneira, etc..

Assim, para que adventistas guardem o sábado, deve ter alguém trabalhando. Não interessa que esse alguém não seja adventista; interessa apenas que ele garanta as condições para que os fiéis se dirijam a igreja e que o culto ocorra em condições normais.

Quanto ao pecado e ao conseqüente castigo, ambos são coisas que nós criamos em nossas mentes quando nos sentimos desconfortáveis com nossas atitudes. Nós mesmos nos punimos.

Quanto a buscar deuses de forma racional, Tarcísio, você erra, pois não há racionalidade nisso, uma vez que tal fenômeno como a propagação de ideologias, não segue a lógica.

Provar que deuses existem por meio de lógica, nos leva a saltos epistemológicos imensos, que largam falhas pelo caminho, sem se chegar ao encadeamento perfeito do raciocínio.

Deuses se buscam por experiências pessoais e não por meio da lógica.


Como conheceu a SCB e o Dr. Ruy Vieira, seu presidente?

Eu havia começado meus estudos de pós-graduação na Unicamp. Estando em São Paulo, viajava algumas vezes à Brasília. Numa dessas viagens, uma pessoa que conhecia meu interesse pelo criacionismo mencionou a existência de uma Sociedade Criacionista em Brasília, cujo presidente é o Dr. Ruy. O nome me pareceu familiar. Como muitos projetos de pesquisa na Unicamp são financiados pela Fapesp, lembrei-me de que um de seus presidentes havia sido Dr. Ruy Vieira. Fiquei mais entusiasmado ainda e pensei: "Será que um dos presidentes da Fapesp é criacionista?" Para minha felicidade, aquela pergunta foi respondida com um "sim"! Deus me deu, então, a oportunidade de conhecer, aprender e conviver com uma das mentes mais brilhantes do mundo e um caráter cuja humildade tem a mesma proporção.

O Dr. Ruy pode ser uma mente brilhante em seu campo de atuação, mas em seus comentários sobre biologia evolutiva deixa a desejar.

Seus erros, prefiro crer que sejam causados por má fé em busca da defesa de suas crenças em prol do proselitismo cristão em vez de falta de conhecimento.

Você costuma dizer que há equívocos em ambos os lados – criacionismo e evolucionismo. Como assim?

Uma das maiores virtudes da boa pesquisa ou de um bom estudo é o maior grau possível de objetividade quanto ao assunto em questão. A outra virtude de igual valor é o reconhecimento da necessidade de aperfeiçoamento de um dado modelo, e isso é conseqüência natural do reconhecimento de que nenhum modelo é perfeito, livre de falhas e questionamento. Muitos criacionistas e muitos evolucionistas cometem o mesmo erro quando não aplicam essas virtudes, e, como conseqüência, temos muitos equívocos que aparecem de ambos os lados, como nos ensina o professor Dr. Eduardo Lütz. A humildade e cautela na interpretação de fatos que ocorrem na natureza é muito importante em qualquer cosmovisão de mundo que venhamos a ter.


Exatamente, procuramos a verdade objetiva quando realizamos estudos científicos, o que leva a aperfeiçoar as teorias.

A TE segue este princípio, e, tanto o criacionismo como o DI também, até que se esbarre no criador. Ai a coisa degringola para as questões religiosas, encerrando qualquer debate.

Quais os pontos mais frágeis do darwinismo, do ponto de vista da biologia e da química?

Durante meu curso de graduação em Ciências Biológicas, percebi muitas coisas incoerentes no modelo darwiniano. Penso que muito disso se deu por conhecer um pouco de áreas com as quais a maioria dos biólogos não é muito familiarizada, como a matemática, a física e a química. Há pelo menos dois pontos que gosto de destacar:

(1) muitas idéias como a seleção natural têm uma grande aplicabilidade dentro daquilo que denominamos de microevolução. Ao se extrapolar aquelas idéias para o campo da macroevolução, verificamos que não há uma aplicabilidade que sustente o modelo em questão. Isso está vindo à tona em muitas conferências realizadas por evolucionistas.

Errado Tarcísio: Fósseis e genética sustentam esta extrapolação. O campo da macroevolução ainda se encontra engatinhando. Não é por isso que algo respalde o criacionismo, cujo padrão de alegações pega carona nas falhas teóricas da TE.

Teorias científicas Tarcísio, não se constróem calcadas em falhas de outras teorias, mas por sí mesmas, com bases em estudos que confirmem ou rechacem o tema proposto.

Dizer que a TE tem falhas e por isso o criacionismo está certo é uma falácia non sectur (aliás, vejo que falácias e sofismas são especialidades criacionistas).

(2) os defensores do darwinismo e do neodarwinismo concentram sua atenção no desenvolvimento da vida em nosso planeta.
Mas não há como a vida se desenvolver se ela não tiver um início.

A origem da vida é um campo completamente sem respostas, mas cheio de especulações, que os defensores da macroevolução evitam defrontar exatamente pela complexidade bioquímica das formas de vida que conhecemos.

Todos os experimentos em química que tentam simular a passagem da matéria inorgânica para compostos orgânicos, a formação de compartimentos que seriam os precursores das membranas celulares, a produção de biomoléculas em supostas condições de uma "terra primitiva", envolvem planejamento sintético e reagentes com altíssimo grau de pureza, o que é completamente oposto ao acaso e aos "caldos primordiais" ensinados nas escolas e universidades como verdade absoluta.

Esses experimentos nos mostram que qualquer que seja o mecanismo que Deus tenha usado para produzir seres vivos exigiu planejamento e inteligência.

Sequer temos idéia de como era a Terra primitiva. O que temos é um registro muito vago do que havia aqui, bem como a analogia com planetas do Sisitema Solar.

Partir da matéria inorgânica para a orgânica sabemos como fazer isso, mas não sabemos criar um ciclo auto-sustentável, que se alimente do exterior, cresça e se reproduza.

Todavia estabelecer que isso requereu planejamento inteligente, trata-se de mais uma falácia non sectur, pois nada na natureza, se observado por meio da ótica científica, demonstra que tal fato possa ter ocorrido.


Como biólogo com mestrado em química, de que forma você avalia a teoria da abiogênese?

A abiogênese postula que a matéria inanimada (sem vida) pode tornar-se matéria animada (portadora de características atribuídas aos seres vivos).

O primeiro aspecto a ser considerado quando se avaliam modelos que propõem o surgimento da vida ao acaso, é uma definição apropriada de vida. Isso se faz necessário para que tenhamos uma noção de onde, em que momento e com quais constituintes aquilo que era inanimado supostamente veio a manifestar características de organismos vivos. Isso raramente é discutido em trabalhos que buscam demonstrar a origem abiogênica da vida. As explicações para a origem dos seres vivos presentes em nossos livros-textos de Ensino Médio e de curso universitário, relatando a origem dos seres vivos a partir de compostos orgânicos provenientes de reações químicas entre substâncias inorgânicas em uma atmosfera primitiva (e isso é abiogênese, pois aquilo que é vivo teria surgido daquilo que não é vivo), misturam fato com fértil imaginação.

Ai Ai Ai Tarcísio !!! Reações químicas não se dão ao acaso e você deve saber disso muito mais que eu.

Não diga matéria não viva, isso está errado, pois o que é não vivo, um dia viveu e depois morreu. Diga matéria inerte.

Abiogenese ainda possui forte caráter de hipótese e há poucos estudos que a confirmam como uma teoria.

Todavia, quer mais imaginação que todas as marcas de criacionismo que andam por ai....

O que se faz em laboratório é demonstrar que a matéria inorgânica pode ser convertida em matéria orgânica, e o experimento de Urey-Miller é considerado um dos pioneiros nesse campo. Embora constituam os seres vivos, compostos orgânicos não manifestam características dos seres vivos.

A teoria da abiogênese carece de comprovação experimental e não é validada por nenhum dos vastos campos da química, principalmente a química orgânica, além de se tratar de uma grande desonestidade com aqueles que se interessam pelo assunto.

Por meio dessa teoria experimentalmente foi comprovado que os compostos orgânicos partem dos compostos inorgânicos. Porém aqueles ainda continuam inertes.

Qualquer pessoa que se dedicar ao estudo da biologia logo aprenderá que a vida é uma manifestação muito, mas muito complexa em termos bioquímicos, biofísicos e fisiológicos, em que muitas partes pontuais precisam trabalhar juntas para o funcionamento do todo.

Se essa mesma pessoa se interessar por química, entenderá muito rápido que todo e qualquer experimento exige, além de planejamento e controle das condições reacionais, a separação dos produtos obtidos para se dar seqüência a um novo experimento, dentro da rota sintética planejada, uma vez que as sínteses orgânicas em laboratório sempre levam à formação de misturas racêmicas (e produtos "indesejados"), desde que haja a possibilidades da formação de centros assimétricos na molécula. E os organismos vivos são repletos dessas moléculas ditas quirais. Logo ficará bem claro que a teoria da abiogênese não faz sentido algum.

Não Tarcísio organismos vivos, apesar de serem repletos de moléculas quirais, estas possuem um padrão de organização que o mantém vivo.

Em laboratórios os produtos podem até se formar em proporções iguais (racêmico). Mas, basta a adição de certos catalisadores para que a reação ocorra favoravelmente em sentido a formar apenas determinado tipo de isômero.

O mesmo ocorre com nosso organismo. Nossos catalisadores naturais impedem a formação de isômeros que poderiam nos ser prejuduciais.

É fato que a vida desenvolveu-se a partir da variedade levógira de compostos orgânicos, sendo que aminoácidos dextrógiros sao muito raros em nosso planeta.

Possivelmente, durante o período de origens da vida deve ter havido ambas as espécies de isómeros ópticos em quantidades próximas, ou mesmo é possível que catalisadores naturais tenham direcionado para a formação de apenas um tipo de isômero predominante , no caso o levógiro.

Por questões evolutivas ou bioquímicas, no que se refere à estabilidade molecular, ou mesmo a capacidade de gerar ciclos auto-sustentáveis capazes de se alimentar do meio e se reproduzirem, os isômeros levógiros firmaram-se como as matérias-base para a formação da vida como a conhecemos, o que poderia não ocorrer com os isômeros dextrógiros.

Mas este é um tema que ainda se encontra em estudos e a citação acima se trata de mera hipótese relativa a um panorama referente a uma Terra pré-biótica. Não há confirmações de nada que apóie o conteúdo dos dois parágrafos acima, exceto alguns estudos na área de ciclos auto-sustentáveis onde apenas partes deles foram reproduzidas em ambiente controlado.

Também há a hipótese de que a vida tenha vindo do espaço, uma vez que há meteoros carbonados denominados condritos que contêm hidrocarbonetos e aminoácidos.

Pelo estudo das propriedades radioativas dos meteoritos é possível determinar a sua idade, que em geral, possuem é de 4 bilhões de anos, o que corresponde aos primórdios do Sistema Solar.

A grande dificuldade com estes meteoritos é a sua fragilidade em relação aos outros. Assim, mesmo no caso de serem muito comuns no espaço, só uma pequena quantidade deve atingir a superfície terrestre, após sobreviver à travessia da atmosfera.

Para complicar ainda mais o problema, os condritos carbonados devem ser analisados logo após a queda, para evitar a sua contaminação com os organismos vivos terrestres.

Os condritos carbonados até então analisados apresentam quantidades levógiras e dextrógiras de compostos orgãnicos em igual quantidade, o que demonstra não terem sido contaminados com matéria orgânica terrestre (embora o artigo apresentado pelo IF - UFRGS seja datado de 1979, veja aqui sobre as análises dos meteoritos de Murchson e Murray).

Desse modo a presença de moléculas orgânicas existem em outros pontos do Sistema Solar, o que pode seguramente ser extrapolado para outros sistemas solares.

De acordo com o artigo apresentado e com estudos realizados, na análise da mais velha rocha (3.800 milhões de anos) encontrada na Groenlândia, detectou-se hidrocarbonetos de origem biótica.

Com efeito, como a quantidade de carbono 12, isótopo mais empregado nos processos biológicos, foi mais elevada do que em relação ao carbono 13, concluiu-se que esse fato era uma evidência de que esses hidrocarbonetos foram produzidos por fotossíntese, processo pelo qual as plantas transformam o dióxido de carbono em componentes orgânicos e oxigênio.

Assim, parece que a vida está presente na Terra há 3.300 milhões de anos, quando a idade da Terra era de somente 800 milhões de anos. A mais antiga vida terrestre conhecida anteriormente datava de 3.400 milhões de anos.

A partir destes estudos pode-se concluir que a vida é um fenômeno natural, normal e mesmo inevitável, que surge desde que as mínimas condições favoráveis apareçam.

Assim, Tarcísio, sua conclusão a respeito da abiogênese não fazer sentido, se analisada com base na sua argumentação, é mais uma vez uma falácia non sectur.


As universidades são mesmo centros de discussão de idéias?

Percebo que em alguns cursos existe mais discussão e debates sobre certos fatos e opiniões, já outros cursos são mais fechados quanto a discussões. Essas diferenças são facilmente entendidas analisando-se o contexto em que cada curso universitário está inserido.

Mas uma coisa me intriga: no meio acadêmico, em geral, idéias que sejam fortemente opostas aos modelos aceitos como verdade são recriminadas ou ridicularizadas.

Não Tarcísio não o são , desde que respaldadas cientificamente.

Tente discutir em um curso de História a possibilidade de grandes navegações em períodos anteriores a Colombo, mesmo existindo trabalhos publicados em importantes periódicos que relatam a existência de cocaína em múmias datadas do período do Egito antigo.

Caso o fato se confirme há que se analisar por que ele ocorreu.Todavia, se há cocaína em múmias, e não ha nada que ateste a vinda de egípcios para o novo mundo, há que se pesquisar as plantas locais ou as supostamente existentes à época da múmia de modo a se poder saber se não se trata de um composto semelhante ao alcalóide cocaína.


Ou tente em um curso de geologia argumentar que os derrames basálticos que formam a região Sul de nosso país se deram em períodos de semanas, e não de milhares de anos, conforme é aceito pela maioria dos geólogos, mesmo que se tenha dissertações de doutorado mostrando isso. Esses são alguns exemplos que podem ilustrar o quanto as universidades deixam a desejar no quesito discutir idéias.

Bem, aqui a relação é dúbia. Uma explosão vulcânica pode durar semanas, meses, anos ou séculos. Mas estabelecer que o mundo foi formado em semanas é demais... nada confirma tal fato.

Quanto ao derrame basáltico, este se deu há muito tempo e pode ter sido causado por uma erupção intensa de algumas semanas ou meses.


Você teve aula com o Dr. Marcos Eberlin. O que acha da pesquisa dele e do fato de ele considerar a homoquiralidade a "assinatura química de Deus"?

O professor Dr. Marcos Eberlin é um exemplo e um referencial para todo aquele que goste de química. Seriedade, responsabilidade, dedicação e espírito crítico estão entre muitas de suas características como profissional que o levaram a ser um respeitado pesquisador no mundo todo. Essas mesmas características devem ser também exemplo e referencial para um cristão que enxergue na natureza os "atributos invisíveis de Deus", conforme nos ensina Paulo, escrevendo aos romanos.

O Dr. Eberlin sempre deixava bem claro suas idéias a respeito de Deus, inclusive em entrevistas ao Jornal da Unicamp. Suas idéias eram levadas a sério ou pelo menos respeitadas devido à qualidade de suas pesquisas e seriedade de seu trabalho. Aí está um excelente exemplo ao cristão: defende suas idéias de forma inteligente, coerente (palavras e ações), sábia e prudente.

Muitos evolucionistas que escrevem e realizam palestras em que o principal objetivo não é discutir a validade das teorias evolucionistas, mas atacar criacionistas, argumentam que diante do desconhecido a resposta "porque Deus quis" é suficiente para os criacionistas, nos taxando de ignorantes e pseudopesquisadores, entre muitos outros adjetivos.

As pesquisas do Dr. Eberlin têm uma importância peculiar dentro da química, uma vez que o motivo pelo qual os seres vivos são constituídos por grupos de moléculas enantiomericamente puras é desconhecido desde a época de Pasteur e suas pesquisas com ácido tartárico.

Dentro da estrutura criacionista, ter um pesquisador como o Dr. Eberlin harmonizando seu conhecimento científico e suas pesquisas de ponta com sua fé em Deus, é mais um nobre exemplo de o quanto a medíocre resposta "porque Deus quis" não faz parte do repertório daquele que sabe que "os atributos invisíveis de Deus, assim como Seu eterno poder, como também a Sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas" (Rm 1:10).

Ao que parece a resposta deixa de ser "é por que Deus quis" e passa a ser "é porque Deus determinou, conforme analisei e evidenciei em minhas experiências".

O Dr. Eberlin é livre para ter suas concepções pessoais, mas não o é para estabelecê-alas como verdades.

Embora a qualidade de seus trabalhos seja excelente, esta excelência se esvai no momento que acrescenta elementos subjetivos em suas pesquisas.

A citação a Paulo de Tarso retoricamente demonstra qual é a resposta do criacionismo embora a sua tentativa Tarcísio, tenha sido de rechaçar a tão esperada resposta.

Simplesmente, para o criacionismo as coisas se dão da forma: "é porque Deus quis".




O que você acha da teoria do design inteligente?

Embora se oponha ao evolucionismo, o desing inteligente não é criacionismo disfarçado, como a mídia tenta impregnar na mente das pessoas. Por isso, é importante saber diferenciar as duas correntes de pensamento.

Sem dúvida alguma, vejo a teoria do design inteligente com bons olhos, não apenas por se opor ao evolucionismo, mas por ser mais consistente com os fatos observáveis.

Os passos metabólicos, o sistema imunológico e todo o alto grau de interdependência das reações químicas necessárias à manutenção da vida, são melhor explicados em termos de complexidades irredutível (modelo proposto pelo desing inteligente) do que pelas teorias evolucionistas encontradas nos livros-textos escolares ou universitários.

Errado Tarcísio: DI é criacionismo disfarçado, pois se fundamenrta em um projetista inteligente, que, pela concepção cristã, é o deus bíblico.

Nada a respeito dos exemplos acima, cogita sequer que se pense em projetistas inteligentes. Tão pouco nada respalda que a complexidade irredutível exista e que estruturas que hoje não mais se encontram presentes em células não tenham um dia feito parte delas.

O argumento do DI é uma roupinha nova para o relógio de Paley. Não faz sentido. O jargão é científico mas a falácia é a mesma.

Quais os seus planos para o futuro próximo?

Essa é a pergunta mais difícil (risos). Perdi meu irmão em 2005 e meu pai recentemente, em 2008. Então, muita coisa em relação à minha mãe precisa de minha atenção. Uma grande prioridade é o trabalho que tenho a oportunidade de desenvolver com o Dr. Ruy Vieira, na Sociedade Criacionista Brasileira.

Espero ser mais útil a cada dia e continuar a atuar na divulgação do criacionismo em nosso país, ao lado de pessoas que admiro e nas quais me espelho (tanto em minha formação intelectual quanto na formação de meu caráter).

Também aguardo algum concurso universitário no qual minha formação se enquadre para posteriormente ingressar no doutorado, pois o "homem da casa" agora sou eu e preciso estar atento às questões financeiras.

Também pretendo montar um centro de estudos em minha cidade, para atender alunos com dificuldade em Cálculo Diferencial, Estatística, Química, Bioquímica, Biofísica e outras disciplinas com as quais tenho familiaridade e que fazem parte do currículo universitário.

Peço a Deus que me dê sabedoria para que eu possa fazer feliz minha namorada (Jucila Katrinne) a cada dia, para que, quando o Senhor nos mostrar o momento, possamos nos casar.

E para finalizar, algo que tenho orado e considerado muito em meu coração. Como mencionei antes, saí de uma dada denominação religiosa e não me encontro em nenhuma oficialmente como membro, embora freqüente o templo adventista de minha cidade desde aquele episódio da discussão sobre o sábado. Há algum tempo, tenho estudado muito as doutrinas da Igreja Adventista do Sétimo Dia, as profecias bíblicas e muitos outros pontos que considero importantes para uma decisão racional.

O legal é que tenho encontrado muita coerência em todo o material que tenho estudado. E um de meus planos para o futuro próximo é ser batizado na Igreja Adventista, assim que concluir esses estudos que tenho feito.

Seus projetos são louváveis, mas procure divulgar a ciência e não a pseuodociência. Creia no que quiser, mas não estabeleça suas crenças como verdades acima de tudo.



A Polêmica relativa ao Sr. Reiss Continua....





A cruzada criacionista em defesa dos delírios do Sr. Michael Reiss o sacerdote da Igreja Anglicana defensor do ensino criacionista nas escolas prossegue.... (aqui) sob o seguinte título:

Biólogo defende criacionismo e é expulso da RS



Um dirigente da Royal Society britânica que defendeu, durante uma reunião de cientistas, o ensino do criacionismo nas escolas britânicas demitiu-se por causa do escândalo nascido de sua proposta.

Michael Reiss, diretor de educação da prestigiosa instituição científica, e que além de biólogo é sacerdote da Igreja Anglicana, se viu forçado a dar esse passo porque seus colegas concluíram que sua fala havia prejudicado a reputação da entidade.

Bem, ele não foi expulso. Ao que parece, resolveu se demitir por seus colegas se oporem as suas idéias um tanto retrógradas, as quais realmente depuseram contra o prestígio da institução, que prima pela seriedade no ensino das ciências.

Estabelecer que o criacionismo deveria ser ensinado nas escolas realmente é uma grande bobagem, pois esta vertente, além de não possuir qualquer base científica plausível, se trata de patente desrespeito às demais crenças que existem no Reino Unido, como já fora debatido em postagem anterior.

Em um discurso feito no Festival de Ciências realizado em Liverpool, Reiss havia dito que era contraproducente tirar das aulas de ciência as teorias que se contrapõem à evolução, com base no fato de que não têm validade científica.


A contraproducência está realmente em travestir a religião cristã como uma ciência séria e cientificamente embasada, despojada de valores, de crenças sem fundamento e ideologias.

Em sua idéia, o Sr. Reiss não revela que tipo de criacionismo deveria ser ensinado, uma vez que suas vertentes variam conforme as crenças religiosas existentes e passadas.





De acordo com Reiss, os professores de Ciências não deveriam ver no criacionismo uma "idéia equivocada", e sim uma cosmovisão alternativa, em que acreditam muitas crianças que cresceram no seio de famílias cristãs ou muçulmanas.

Criacionismo é apenas cosmovisão alternativa religiosa, uma vez que cada religião estabelece quem foi o seu criador e de que forma esse suposto criador atuou.

Não há bases científicas a respeito de criadores de mundos e tão pouco de deuses. Mas há bases científicas para o que a Teoria da Evolução apresenta.

O Sr. Reiss confunde o acreditar científico com o acreditar religioso ao mencionar a crença de crianças que vivem no seio de famílias religiosas.

Aqui faria até uma menção a Richard Dawkins em Deus um Delírio:

"Não existe criança cristã, judia, islâmica, budista ou qualquer outra coisa, assim como não existe criança nazista, comunista ou capitalista." Crianças são crianças, querem brincar, viver e serem felizes.

Infelizmente essas crianças, desde a mais tenra idade são condicionadas por seus pais a a crerem em suas religiões, sem lhes dar qualquer chance de pensarem livremente sobre qual credo desejam escolher ou se não desejam escolher nenhum deles, o que se caracteriza como desrespeito a sua individualidade.



Ao se tratar da propagação destes credos, entramos no campo da memética, que é o estudo dos memes, que é uma unidade de informação que se multiplica de cérebro para cérebro ou em locais onde a informação é armazenada (e.g. livros). O meme assim pode ser considerado uma unidade de evolução cultural que pode ser propagada.

Assim, memes podem ser as idéias, partes de idéias, sons, línguas, desenhos, capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida enquanto unidade autónoma (ver aqui).

Desse modo a religião, assim como qualquer forma de adquirir conhecimento, sob o enfoque da memética podem ser tratadas como memes. Todavia, o conhecimento científico é aberto à discussão e à correções, uma vez que ciências se constróem com base em observações diretas e/ou indiretas do mundo natural.

Quanto às crenças religiosas, estas são imutáveis e inquestionáveis em seus dogmas, o que as exclui do conhecimento científico. Aqui se enquadra toda a gama de criacionismos, superstições, mitos, valores sociais e ideológicos.


Portanto o equívoco existe na proposta do Sr. Rees em desejar transformar uma crença em ciência, gerando patente confusão entre crença e ciência o que demosntra não falta de conhecimento mas pura má fé em prol do proselitismo relativo a sua crença o que abala o prestígio da Royal Society como instituição séria no ensino das ciências.


O ganhador do Prêmio Nobel de Medicina Richard Roberts descreveu as opiniões de seu colega como "escandalosas" e escreveu uma carta ao presidente da Royal Society, Lorde Rees de Ludlow, exigindo a demissão de Reiss.




Como houve grave dano à imagem da instituição, no que concerne às confusões e a má fé geradas pelo sacerdote, não creio que fosse conveniente o Sr, Rees manter-se no cargo que ocupava.

Caso fosse mantido o status cuo, daria demonstrações que a instituição compactuaria com as idéias do Sr. Reiss, o que continuaria depondo contra a sua imagem de instituição séria de ensino.

O ganhador do Nobel de Química Harry Koto, também membro da sociedade, escreveu por sua vez uma carta dizendo que já havia advertido para o perigo de manter um sacerdote como diretor de educação da instituição.

Realmente, sacerdotes cuidando do ensino não se trata de algo conveniente, pois esse filme já foi visto ao longo da história.







A tendência destes personagens é mesclar a ciência, a história e os demais estudos científicos às crenças religiosas a fim de justificá-las como algo em que se deve piamente acreditar.

Isso é um grave erro, uma vez que a carga de subjetivismos é alta e ciências não se constróem com subjetivosmos, mas busca-se a máxima aproximação à verdade objetiva (mundo da alethea, tratado aqui)


Com a polêmica instaurada, a Royal Society divulgou um comunicado dizendo que os comentários de Reiss, que havia falado na condição de dirigente da entidade, se prestavam facilmente a "interpretações erradas".

"Mesmo que não fosse essa sua intenção, houve dano à reputação da Society", diz o comunicado, que prossegue:

"O criacionismo carece de base científica e não deveria ter parte no currículo de ciências. E se um jovem levanta a questão do criacionismo numa aula de ciência, os professores deveriam ser capazes de explicar que a evolução é uma teoria com sólida base científica e que esse não é o caso, de modo algum, com o criacionismo."

Realmete, o dano à credibilidade da instituição ocorreu. O mínimo que poderia ter sido feito era destituir Ress de seu cargo.

Realmente, o criacionismo carece de bases científicas, pois até hoje nada o respalda, alem do excesso de carga subjetiva, falácias e sofismas que apresenta em seus argumentos, sem considerar que se trata de um assundo que se encerra em si mesmo no dogma da existencia de deuses, o que o torna incontestável além dos limites relativos a esses supostos seres.

A Teoria da Evolução, embora seja constantemente reparada, como ocorre em todos os campos da ciência, possui bases sólidas, principalmente após o estudo da genética, por meio do qual pode-se determinar semelhanças entre genomas de diversas espécies, principalmente aquelas pertencentes às mesmas ordens taxonômicas.

Segue abaixo uma nota em relação à qual não há mencões sobre a citação de seus autores.

Exame da nota:

(O Estado de S. Paulo)

Nota: O Lord Robert Winston, professor de ciência e sociedade no Imperial College, em Londres, comentou: "Receio que, nesta acção, a Royal Society só se tenha diminuído a si mesma... Este não é um bom dia para a reputação da ciência ou dos cientistas... Esse indivíduo só estava argumentando que deveríamos considerar e debater os equívocos públicos sobre a ciência - algo que a Royal Society deveria aplaudir."

Não vejo qualquer diminuição na ação da Royal Society, mas apenas a reparação de um erro calcado na irresponsabilidade e má fé de um de seus membros.

Debater equívocos científicos se faz por meio de estudos científicos que sigam em direção oposta àquilo que é tido como uma visão confirmada, ou seja, é apresentar um estudo que desconforme o anterior.

Não é por meio de concepções pessoais ou religiosas que se constróem as ciências, mas por meio de ciências e seus estudos, conforme a metodologia científica.


Os "poderosos"da Royal Society conseguiram deitar por terra o lema da entidade "Nullius in verba", que significa que não devemos acreditar em ninguém, mas sim usar a ciência para estabelecer a "verdade das matérias cientificas através da experimentação em vez de através do recurso à autoridade". Papel aceita tudo...

Não, nada foi posto por terra; o lema foi seguido à risca. Realmente não devemos acreditar em ninguém (esse acreditar no sentido de ter-se uma crença sem comprovações que a respaldem), mas estabelecer-se a ciência a fim de que esta busque a aproximação à verdade objetiva.

Porém, não foi o que ocorreu com o equívoco patrocinado pelo Sr. Reiss:

1- onde está o estudo que dá bases científicas ao criacionismo?

2- que tipo de criacionismo é o mais correto ou se aproxima de uma verdade objetiva?

3- onde reside a experimentação no criacionismo, quais os métodos que essa "ciência" utiliza?

4 - quem é o verdadeiro criador, quem o criou, de onde ele ou eles veio/vieram e qual/ quais sua/suas pretensões?

5 - a religião apenas se baseia em falácias, principalmente nos argumentos da autoridade e da circularidade, ou seja, é o mundo do é porque é, pois assim eu disse porque está e escrito e fim de papo.

Portanto, não vejo qualquer posição autoritária da Royal Society e tão pouco desrespeito ao seu lema.

A maluquice do Sr. Reiss, como dos criacionistas em geral pode ser comparada àquela que supostamente poderia ocorrer em uma Faculdade de Matemática caso um professor surgisse com a idéia de substituir os métodos estatísticos de previsão e as teorias de probabilidades por leitura de búzios, quiromancia, astrologia, leitura de tarô, leitura da borra de café, I Ching, feng shui, leitura de baralho, entre outros métodos de adivinhação. Imaginem só se houvesse um debate questionando a metodologia estatística com base nos métodos de adivinhação.

Qual desses métodos seria o verdadeiro?


R. Cada conhecedor relativo ao seu método tentaria assegurar que o seu é a verdade absoluta e ninguém chegaria a lugar algum.

Essa é a verdadeira face do criacionismo e de seu correlato o DI: Tratam-se de um amontoado de concepções subjetivo-religiosas, sem qualquer respaldo científico, que procura se tornar a verdade absoluta acima de tudo, sem exigir qualquer confirmação científica.

Como não poderia deixar de ser, o "devoto de Darwin" (Veja) Richard Dawkins foi um dos maiores críticos da posição de Reiss. O ateu fundamentalista autor de Deus, um Delírio reagiu com tremenda intolerância aos leves comentários do professor Reiss.

Esse é mais um exemplo do nível de discriminação que existe nos meios acadêmicos contra quem quer que sequer mencione a possibilidade de se questionar o darwinismo.


Caso realmente Dawkins tenha reagido da forma ora descrita, agiu com racionalidade, pois os comentários de Reiss não passam de uma grande bobagem do ponto de vista científico, além de encerrar alto teor de má fé sob o ponto de vista jurídico e pedagógico.




Dawkins apenas procura estabelecer uma ciência livre da sombra religiosa, onde nada é confirmado, apenas se acredita naquilo que é determinado.

A nota também encerra o erro corriqueiro patrocinado pelos criacionistas, o qual considero uma alegação meramente retórica de que a Teoria da Evolução seria inquestionável, com o fito lança-la no mesmo mundo da crença religiosa. A nota, cometendo grande impropriedade conceitual, faz menção ao "darwinismo" que é o ponto estudado em sociologia denominado Darwinismo Social.

Este em nada se relaciona à Teoria da Evolução, pois se trata de uma visão equivocada desta teoria.
Portanto, a alegação acima referente a disciminações, é falsa, uma vez que tanto a TE como qualquer outra teoria científica são amplamente abertas a qualquer questionamento, diferentemente do que se passa no seio das religiões.

Simplesmente, não há nada científico que eleve o criacionismo a teoria científica, o que automaticamente o exclui do mundo acadêmico.

A "darwinlatria" continua.[MB]

Não vejo qualquer darwinilatria, mas excesso de irracionalidade, má fé e religiosismo por parte dos adeptos do criacionismo.
O que de fato parece ocorrer é uma bibliolatria a fim de descaracterizar a verdadeira ciência em prol do proselitismo cristão.



domingo, 14 de setembro de 2008

DESRESPEITO A DIREITOS E AS MALUQUICES RELIGIOSAS




















Espanta-me este debate continuar de forma a quererem introduzir a crença religiosa disfarçada como aulas de ciências ou visões alternativas de origem do mundo ou das espécies. Desta vez o besteiror tem origem britânica e .... para variar, parte de um cristão, pertencente ao ramo anglicano. Vejamos o que diz a reportagem (texto em preto meus comentários em vermelho):

Cientista propõe ensino do criacionismo em escolas


A proposta de um diretor da Royal Society, prestigiada instituição científica britânica à qual um dia pertenceu Charles Darwin, de incluir o criacionismo nas aulas de ciências nas escolas britânicas foi fortemente criticada por colegas.

Por parte de seus colegas a atitude é sensata e correta. Aliás resta-me uma dúvida: qual marca de criacionismo nosso "cientista" pretenderia instituir como aula de ciência?

Deduzo que pela sua formação religiosa, seria o criacionismo pautado na bíblia, o que certamente viria a violar direitos de budistas, indianos, wiccas e, mesmo de muçulmanos ou judeus, entre outras religiões que existem no Reino Unido.

Há que se saber que pela atitude corriquira assumida por cristãos o objetivo de todo esse empenho se trata de mero proselitismo religioso e sustentação de uma crença como sendo algop lógico, o que não faz o menor sentido.




Em uma intervenção no Festival da Ciência, celebrado em Liverpool, o diretor de educação da Royal Society, Michael Reiss, defendeu ser contraproducente banir das aulas todas as teorias alternativas para a origem a vida e do universo, só porque não têm base científica. Reiss, que, além de biólogo, é sacerdote da Igreja Anglicana, afirmou que com essa exclusão somente se consegue que muitas crianças, vindas de famílias religiosas, se distanciem da ciência.

O Sr. Reiss se esquece que teorias alternativas devem apresentar ao menos evidências de modo a poderem ser consideradas como teorias; erro crasso para uma pessoa ligada às ciências. No máximo criacionismo é uma mera hipótese não fundada em ciência mas em teologia.

É interessante a conclusão do Sr. Reiss, no que se refere à exclusão de supostas "teorias alternativas" afastarem crianças oriundas de famílias religiosas da ciência. Aqui pode-se perceber como é forte o fundamento ideológico de uma crença religiosa.

Provavelmente não são as crianças que se afastam das ciências, mas seus pais que fazem isso por elas. Ao existir algo que faça as crianças pensarem de forma crítica em relação à ideologia religiosa abraçada por seus pais, essa forma de pensamento deve ser banida, suprimida e destruída, postura bem típica das religiões fundamentalistas.

Isso também é alimentado por sacerdotes, uma vez que crianças são fiéis em potencial o que representa mais fundos para a igreja e a conseqüente manutenção de privilégios de seus "guias espirituais".

Basta lembrarmos de algo simples ocorrido na história: a revolução monoteísta de Akenaton. Simplesmente, com sua morte o sacerdote Ai tornou-se regente de Tut Ank Amon e mais tarde se tornou faraó.

Apagou os registros tanto de Akenaton como de Tut e restaurou a antiga ordem politeísta, mantendo o privilégio da classe sacerdotal.

Resta-mo noentanto uma pergunta: caso o criacionismo ensinado fosse aquele com base na crença hindu ou budista, será que nossas "crianças religiosas" também não se distanciariam do ensino pseudocientífico oopppsss!!! científico alternativo?

Reiss explicou que ele mesmo havia explicado o evolucionismo nas aulas até que compreendeu que "simplesmente esmagar" os alunos com a teoria da evolução não funcionava, em alguns casos. "Me contentaria, agora, simplesmente se as crianças vissem o evolucionismo como uma forma a mais de compreender o universo", disse.

Teoria da evolução não esmaga ninguém, uma vez que tudo dentro dela é passível de contestação e de desenvolvimento de novas teorias, desde que haja evidências que as favoreçam.

E quanto a implantar um criacionismo em moldes cristãos??? Isso não seria esmagar a crença e a fé de outras pessoas?


Ou mesmo querer esmagar o conhecimento científico e deixá-lo aos desígnios da igreja decidir o que deve e o que não deve ser ensinado?

A atitude do Sr. Reiss, além de insensata, é desrespeitosa com alunos pertencentes a outros credos, bem como com a qualidade do ensino ministrado pelas escolas britâ
nicas.


As palavras de Reiss tiveram uma resposta imediata por parte dos membros da comunidade científica. "O criacionismo se baseia na fé e não tem nada a ver com a ciência [e o darwinismo, que se baseia, em última instância, o naturalismo filosófico?], por isso não tem espaço nas aulas de ciência", disse Lewis Wolpert, biólogo da University College, de Londres.


Sim criacionismo tem sua base na fé e, reralmente nada tem a ver com ciências.

Primeiro porque é explicado por meio de seres divinos; segundo , porque não possui qualquer evidência plausível que o apóie e que o respalde como teoria científica e, terceiro, porque encerra valores religiosos, o que viola direitos de pessoas que não professam o mesmo credo da doutrina ensinada.




O naturalismo filosófico zetético é a linguagem da ciência, não o dogmatismo religioso onde se chega ao ponto estanque (os deuses, espíritos, gênios, entre outros seres míticos).

Por sua parte, John Fry, físico da Universidade de Liverpool, afirmou que as aulas de ciências "não são o lugar apropriado para discutir o criacionismo, que é uma teoria que se opõe a qualquer demonstração científica." [Isso é um absurdo!]

John Fry está coberto de razão. Seria um absurdo levar o criacionismo para as salas de aula. Realmente, as marolas metafísicas criacionistas, por mais que a ciência confirme fatos colhidos na natureza (sim fatos, pois se não o fossem não se confirmariam a fim de respaldar a formação de qualquer teoria), existe forte oposição por parte de religiosos que, a todo custo, querem manter intacta sua ideologia.

Será que algum religioso já pensou em questionar todas as abordagens irracionais existentes em livros sagrados ou histórias passadas de geração a geração? Será que já tiveram a curiosidade em analisar de forma crítica todas as abordagens míticas que dão azo a todo esse debate religião X ciência? Será que já pensaram em analisar criticamente o conceito de deus e todo o dogmatismo que se encerra nessa questão?

A resposta é clara: NÃO, POIS DEUS NÃO SE CONTESTA, TEM DE SER ACEITO E PONTO!!!!

Assim, o que há de científico no criacionismo?

Resposta: simplesmente nada.


Logo, o absurdo se encontra e entender como absurdo não permitir que a crença e o arcabouço ideológico de uma religião se imiscua nas ciências, contaminando-as com mitos e censurando o avanço do conhecimento.

Certamente isso culminaria na percepção de que livros antigos não se tratam de compêndios científicos, mas de mera alegoria para se explicar o que á época de suas confecções não se possuia a mínima idéia.





As histórias religiosas, ao longo da evolução do conhecimento humano, foram úteis á época de sua criação como forma de explicar o mundo, mas hoje, não podem ser entendidis como verdades absolutas, mas apenas como histórias e contos do passado.


De acordo com as diretrizes de educação fixadas pelo governo, o criacionismo não deve ser discutido em aulas de ciência, mas de religião. [O problema é que nem lá ele é.]

Exatamente, cada qual em sua crença e cada qual com seu criacionismo. Caso não seja discutido nem nas crenças religiosas, há que se pensar.

Creio que alguns religiosos possuem sensatez suficiente para deixar essas marolas de lado e se aterem à formação do indivíduo para a vida em sociedade, a qual seria uma forma útil da religião ser ensinada.

É interessante que a religião deixe a ciência para os cientistas e se atenha aos valores de sua crença a fim de formar seus seguidores, ensinando-lhes o amor, a igualdade, o significado da paz, a boa educação e o auxílio ao próximo, que em tese deveria ser sua função, ao invés de se preocupar se Darwin estava certo ou errado.



(O Estado de S. Paulo)

Nota: É o velho preconceito e a mesma blindagem de Darwin. Nada de criticar e discutir. Só engolir o modelo vigente.[MB]

Não se trata de preconceitos ou blindagens, mas de saber distinguir uma coisa da outra. A natureza do pensamento científico difere em muito daquela do pensamento religioso.

A nota apresenta um grande equívoco, pois constantemente a teoria da evolução é analisada e criticada, com pontos ora desconfirmados e rechaçados e ora confirmados.

Seria interessante que a nota se aplicasse não ao proposto pela Teoria da Evolução, a qual apresenta evidências a seu favor, mas ao modelo criacionista, que é o único que não aceita críticas em sua base (Deus) .



Este e não aquela representam o mundo do "OBEDECER SEMPRE, CONTESTAR JAMAIS", que pode ser traduzido em "ENGULA O CRISTIANISMO E CALE A BOCA".



CONCLUSÃO:

A fim de que o cristianismo faça sentido, no que se refere ao plano da salvação e ao retorno do messias, é necessário que toda a história descrita em Gênesis seja real, uma vez que o pecado da humanidade cometido por Adão e Eva é a causa da redenção pelo messias.

Caso Gênesis seja uma farsa (que o é) o plano da salvação, bem como toda a promessa do cristianismo vão por água abaixo, uma vez que não haveria criação do mundo por Deus e tão pouco haveria o pecado.

Analisando-se o fundamento do DI e do criacionismo, naquele um ser superior e neste o Deus bíblico foram os responsáveis por criarem o mundo e as espécies aqui existentes.

É sabido que no universo lá fora reina o caos e que, dentre os membros de uma espécie há aqueles que são mais fracos ou que nascem defeituosos e morrem ou há animais que são a base e outros estão no topo da cadeia alimentar.

Por que o desenhista inteligente ou o tal criador teria sido tão cruel ao definir a natureza e o universo como eles são? A resposta se encerra no pecado humano e, por trás diso surge toda a questão bíblica voltada à redenção por meio do cristianismo.


Sendo a TE, o Big Bang e a Teoria da Origem da Vida formas naturais de se explicar o universo e o nosso mundo excluíndo a presença de deuses, mais especificamente do deus bíblico, atentam diretamente contra o fundamento das três religiões monoteístas, uma vez que a questão do pecado deixa de existir.

Assim o fundamento da redenção por um messias perde o sentido e, portanto, perdem o sentido as três religiões monoteístas (judaísmo, cristianismo e islã).

Isso não é conveniente, uma vez que por trás dessas crenças, há muito dinheiro envolvido. Logo, tudo que atente contra as "verdades" dessas crenças deve ser banido do mundo a qualquer preço.

Daí a razão de, principlmente cristãos, ramo onde é patente o surgimento de seitas que literalmente assaltam seus fiéis em nome de Deus, se empenharem tanto em fazer com que o criacionismo e conseqüentemente o cristianismo sejam empurrado goela abaixo dos estudantes.

É de se espantar que a tática se direciona principalmente a jovens, pois são presas fáceis de má retórica e raciocínios falhos apresentados por religiosos e, assim, são mais fáceis de serem convertidos.

Dessa forma, não há que se permitir que a religião seja travestida como ciência e invada as escolas de forma a ampliar a rede proselitista cristã.

É engraçado como cristãos falam em liberdade de expressão ao se manifestarem contra as três teorias acima apresentadas, mas se esquecem de olhar para o que tem feito ao tentarem impor os mitos de sua crença acima da ciência e das demais crenças religiosas.

Ciências não se tratam de uma marcha de protestos a favor da liberdade de pensamento, uma vez que não são ideologias sustentadas por valores.

Ciências se baseiam em evidências que são fatos observados na natureza e não em valores incontestáveis forjados ao longo de gerações.


O mundo da ciência é diferente daquele da crença. A escola é onde se aprende o conhecimento científico e onde se prepara o indivíduo para a vida em sociedade, por meio de respeito às normas.

A igreja é onde se aprende a religião e os valores respectivos a cada povo.

Desse modo, caberia aos adeptos do criacionismo entenderem a diferença entre o mundo da crença ideológico-religiosa e o mundo da ciência onde as crenças se pautam pelas evidências colhidas na natureza.